Gordo PCC R$ 8 bilhões orçamento capitais

O Primeiro Comando da Capital (PCC) continua a surpreender com suas operações de tráfico e lavagem de dinheiro. Recentemente, a Polícia Civil de São Paulo revelou que Anderson Manzini, conhecido como Gordo, conseguiu movimentar R$ 8 bilhões mesmo estando preso. Esse montante impressionante ultrapassa o orçamento combinado das capitais de Aracaju e Florianópolis.

Anderson Manzini, o Gordo, é um dos nomes mais poderosos dentro do PCC, e apesar de estar atrás das grades há 22 anos, sua influência não diminuiu. Gordo, que atualmente cumpre pena na Penitenciária de Avaré, conseguiu administrar sua organização criminosa com uma eficiência notável. 

De acordo com informações da Polícia Civil, em um período de cinco anos, ele movimentou a astronômica quantia de R$ 8 bilhões. As informações são do Metrópoles.

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Comunicação Através de Cartas

A administração dos negócios do PCC por Gordo se dava principalmente por meio de cartas. Essas correspondências, que eram fotografadas por sua esposa, Fabiana Lopes Manzini, e enviadas aos destinatários, continham instruções detalhadas sobre operações e negociações. 

Mesmo estando em um ambiente com restrições, Gordo conseguia manter um controle rígido sobre as atividades da facção.

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Imagem: Reprodução / Metrópoles

O Impacto no Orçamento Público

Para entender a magnitude dos valores movimentados, é essencial compará-los com orçamentos públicos. Aracaju e Florianópolis, duas capitais brasileiras, possuem orçamentos anuais de R$ 3,9 bilhões cada uma. Assim, o montante de R$ 8 bilhões gerido por Gordo supera a soma dos orçamentos dessas cidades, destacando a grandiosidade da operação.

A Dinâmica das Operações Criminosas

Estrutura de Negócios

Gordo utilizava um sistema complexo para gerenciar o tráfico e o fluxo de dinheiro. Ele mantinha contato com pelo menos 40 pessoas, incluindo membros de alta hierarquia do PCC, “laranjas” e parceiros comerciais. Esses contatos eram fundamentais para a operação do tráfico e a lavagem de dinheiro.

Pagamentos e Lavagem de Dinheiro

Os pagamentos pelos pontos de venda de drogas eram feitos por transferências bancárias, muitas vezes via Pix. Em um caso específico, o aluguel semanal de um ponto de venda de drogas era de R$ 2.800, um valor que poderia alugar uma casa de três quartos na região. 

A lavagem de dinheiro e a movimentação de recursos eram feitas de forma sofisticada, envolvendo múltiplas contas e transações.

A Criação do “Banco do Crime”

Criação e Operação

Além de administrar o tráfico, Gordo também estabeleceu um “banco do crime” para gerenciar os R$ 8 bilhões movimentados pela quadrilha. João Gabriel Yamawaki, primo de Gordo, foi identificado como o responsável por essa instituição financeira digital. Sua prisão em agosto de 2023 revelou a magnitude do esquema, com a apreensão de R$ 501,3 milhões.

Infiltração Política

Gordo e seu grupo não se limitaram apenas ao tráfico e à lavagem de dinheiro. A investigação também revelou planos para infiltrar-se em campanhas eleitorais e influenciar políticas em cidades do interior, litoral e região metropolitana de São Paulo. Isso demonstra a extensão e o impacto político das operações do PCC.

Repercussões e Investigações

Operações da Polícia Civil

As investigações conduzidas pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes continuam a desdobrar a complexa rede de operações do PCC. A polícia bloqueou valores significativos e identificou mais de 26 pessoas diretamente envolvidas com os negócios criminosos.

Prisão de Fabiana Lopes Manzini

Fabiana Lopes Manzini, esposa de Gordo, foi presa em setembro de 2023. Durante sua prisão, foram encontrados dois celulares com mensagens que revelaram detalhes sobre o esquema criminoso. Essas mensagens ajudaram a Polícia Civil a mapear a estrutura financeira e as operações da facção.

Breve Histórico do PCC

O Primeiro Comando da Capital, conhecido pela sigla PCC, é uma das organizações criminosas mais notórias e influentes do Brasil. Fundado em 1993, o PCC surgiu no contexto de uma das mais graves crises do sistema penitenciário brasileiro, marcada por superlotação e condições precárias.

O PCC foi fundado em 1993, na Penitenciária de São Paulo, pelo ex-presidiário “Marcola” (Marco Willians Herbas Camacho) e seus associados. Inicialmente, o grupo se formou com o objetivo de garantir proteção e apoio mútuo entre os presos, promovendo um código de conduta e uma estrutura de comando para enfrentar a violência dentro das prisões.

Atualmente, o PCC continua a ser uma força dominante no cenário do crime organizado brasileiro. A facção mantém um controle rígido sobre o tráfico de drogas e outras atividades criminosas, utilizando uma rede de comunicação sofisticada para coordenar operações e administrar recursos. 


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Imagem: Sérgio Lima – Agência Brasil

Considerações Finais

O caso de Anderson Manzini, o Gordo, demonstra a capacidade do PCC de operar e controlar uma vasta rede criminosa mesmo a partir de uma cela. Com a movimentação de R$ 8 bilhões, que supera o orçamento combinado de Aracaju e Florianópolis, fica claro que o crime organizado possui mecanismos financeiros e administrativos sofisticados. 

As investigações em curso prometem trazer mais detalhes sobre a atuação da facção e o impacto de suas operações na economia e na política brasileira.

Imagem: Arquivo / Agência Brasil

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