Alta da Selic e Seus Impactos nos Investimentos

A alta da taxa Selic voltou ao centro das discussões econômicas no Brasil, despertando a atenção de investidores que precisam entender como essa mudança pode afetar seus investimentos.

Com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) próxima, uma nova elevação da Selic já é esperada. Neste artigo, vamos explorar como esse aumento pode impactar diversos tipos de investimentos, desde a renda fixa até a renda variável.

O Que é a Selic e Por Que Ela Está Subindo?


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Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

A Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) é a taxa básica de juros da economia brasileira e influência o custo do crédito no país. Sempre que o Banco Central deseja controlar a inflação, a Selic é utilizada como ferramenta principal.

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Em 2024, o cenário econômico tem sido marcado por uma inflação elevada e um crescimento econômico robusto. O Produto Interno Bruto (PIB) está previsto para crescer cerca de 3%, e a inflação acumulada dos últimos 12 meses está em 4,24%, acima da meta de 3% fixada para o período.

Diante desse cenário, o Banco Central deve aumentar a Selic na próxima reunião para conter a pressão inflacionária. A expectativa é que a taxa suba dos atuais 10,5% para algo entre 0,25% e 0,50%, o que trará impactos importantes para os diferentes tipos de investimentos.

Como a Alta da Selic Afeta os Investimentos em Renda Fixa?

Para quem investe em renda fixa, a alta da Selic é, em geral, uma boa notícia. Quando a Selic sobe, os retornos dos investimentos que acompanham essa taxa, como CDBs, LCIs, LCAs e Tesouro Selic, também aumentam. Como a renda fixa tem sua rentabilidade atrelada ao desempenho dos juros, qualquer movimento de alta nos juros acaba beneficiando esses investidores.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto, em especial o Tesouro Selic, tende a ser um dos mais procurados em cenários de elevação da Selic, ao oferecer retornos próximos à própria taxa básica de juros, além de apresentar baixo risco. Com a alta esperada da Selic, quem tem Tesouro Selic no portfólio verá sua rentabilidade aumentar, acompanhando o ajuste na taxa.

Outro título relevante é o Tesouro IPCA+, que protege o investidor da inflação. Apesar de também ser afetado pela alta dos juros, esse título garante um rendimento acima da inflação, tornando-o uma boa escolha em tempos de incerteza econômica.

CDBs, LCIs e LCAs

Além dos títulos públicos, os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e as LCIs/LCAs (Letras de Crédito Imobiliário/Agrícola) também oferecem boas oportunidades para quem busca rendimentos seguros. Em períodos de alta na Selic, esses investimentos costumam apresentar rentabilidades mais atrativas, muitas vezes superando a inflação. Esses papéis, oferecidos por bancos, tendem a competir com os títulos do Tesouro Nacional, elevando suas taxas de retorno.

Fundos Imobiliários (FIIs) e a Selic

Os Fundos Imobiliários (FIIs) têm uma relação mais complexa com a alta da Selic. Quando os juros sobem, os investidores tendem a buscar opções mais seguras e com maior retorno garantido, como a renda fixa, deixando de lado os FIIs. Isso ocorre porque os dividendos pagos pelos fundos imobiliários podem não parecer tão atrativos em comparação ao rendimento crescente dos títulos de renda fixa.

No entanto, nem todos os FIIs são igualmente afetados. Fundos que investem em imóveis de alta demanda ou em setores resilientes, como logística e comércio, podem sofrer menos com esse movimento. Além disso, fundos que investem em títulos de dívida imobiliária (como CRIs) podem, paradoxalmente, beneficiar-se do aumento dos juros, dado que suas receitas são atreladas a índices como a Selic.

A Bolsa de Valores e a Influência da Selic

A relação entre a Selic e a Bolsa de Valores é geralmente negativa. Quando os juros sobem, o custo de capital para as empresas aumenta, impactando negativamente seus lucros e, consequentemente, o valor de suas ações. Além disso, a renda fixa passa a oferecer retornos mais interessantes com menor risco, levando muitos investidores a migrarem para alternativas mais seguras.

Porém, há setores específicos que podem se beneficiar da alta da Selic. O setor de bancos, por exemplo, tende a se favorecer com juros mais altos, já que as instituições financeiras lucram com a diferença entre o que pagam aos correntistas e o que cobram nos empréstimos.

Setores Afetados pela Alta da Selic

  • Consumo e varejo: Empresas desse setor costumam ser prejudicadas pela alta da Selic, pois o aumento dos juros encarece o crédito e reduz o consumo.
  • Construtoras e incorporadoras: O setor imobiliário tende a sofrer, uma vez que financiamentos imobiliários se tornam mais caros, reduzindo a demanda por imóveis.
  • Exportadoras: A alta da Selic pode levar à valorização do real, o que, por sua vez, pode prejudicar empresas que dependem das exportações.

O Impacto da Alta da Selic na Dívida Pública

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Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Outro ponto importante a ser considerado é o impacto da alta da Selic na dívida pública. Juros mais altos significam que o governo precisa pagar mais para financiar sua dívida. Isso aumenta o risco de uma dominância fiscal, onde a dívida pública se torna insustentável, criando um ciclo vicioso de aumentos sucessivos de juros e inflação.

Para o investidor, isso significa que o governo pode ter menos espaço para investir em setores produtivos da economia, o que pode comprometer o crescimento econômico a longo prazo. Além disso, um aumento na dívida pública pode aumentar a percepção de risco do país, desvalorizando o real e aumentando os preços dos produtos importados.

Considerações Finais

A alta da Selic é uma ferramenta fundamental para conter a inflação, mas seus impactos são amplos e variados. Enquanto a renda fixa se torna mais atrativa, setores como os FIIs e a Bolsa de Valores podem enfrentar desafios. Por outro lado, empresas exportadoras e setores resilientes têm a chance de se sobressair.

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