Na última quinta-feira, 12 de setembro, a Câmara dos Deputados concluiu a votação de um projeto de lei crucial para as finanças públicas do Brasil.
A nova legislação, agora aguardando sanção presidencial, inclui uma série de medidas destinadas a garantir o cumprimento da meta fiscal para 2024, com uma ênfase particular na recuperação de recursos esquecidos em instituições financeiras. Este passo significativo promete alterar o cenário fiscal do país e aliviar pressões sobre o orçamento federal.
O projeto de lei aprovado estabelece uma transição para o fim da desoneração da folha de pagamento, que atualmente beneficia 17 setores da economia. A proposta introduz uma série de medidas compensatórias para mitigar os efeitos dessa mudança, incluindo a recuperação de recursos não reclamados em bancos e outras instituições financeiras.
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Desoneração da Folha de Pagamento: O Que Muda?
A desoneração da folha de pagamento foi uma política implementada para reduzir os encargos sobre os empregadores, incentivando a contratação e a formalização de empregos. No entanto, a medida também resultou em perda de receita para o INSS e, consequentemente, aumentou as pressões fiscais sobre o governo.
O novo projeto prevê a transição gradual para o fim dessa desoneração ao longo de três anos. Além disso, estabelece a cobrança da alíquota cheia do INSS em municípios com até 156 mil habitantes, buscando equilibrar a arrecadação e os custos associados à seguridade social.
Medidas Compensatórias e Recolhimento de Recursos
Uma das principais inovações do projeto é a medida que permite ao Tesouro Nacional a captação de recursos esquecidos em instituições financeiras. O Banco Central havia levantado objeções a essa medida, questionando a classificação desses recursos como receita primária.
No entanto, uma emenda de redação foi aprovada, determinando que esses saldos serão apropriados pelo Tesouro como receita orçamentária primária, ajudando o governo a alcançar suas metas fiscais.
Impacto Esperado
A expectativa é que a recuperação de recursos esquecidos incremente as contas do governo em R$ 8 bilhões para o ano de 2024. Esse valor é crucial para atingir a meta fiscal, especialmente considerando o impacto da transição da desoneração e outras medidas compensatórias.
Controvérsias e Debate
A aprovação da emenda que altera a classificação dos recursos não reclamados gerou controvérsia. A oposição argumentou que a mudança no texto original poderia alterar o mérito da matéria, o que, segundo eles, justificaria uma nova análise pelo Senado. Contudo, a maioria dos parlamentares decidiu manter a proposta, e os questionamentos não foram acatados durante a sessão.
Reação do Banco Central
O Banco Central havia emitido uma nota técnica indicando que a inclusão dos recursos esquecidos como receita primária poderia prejudicar a transparência fiscal e o controle das contas públicas. No entanto, o governo argumentou que a emenda resolve esses problemas e permitirá o uso desses recursos para cumprir a meta fiscal sem comprometer a integridade das contas públicas.
A Visão do Governo
Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, do CanalGov, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou otimismo em relação às medidas aprovadas. Segundo Haddad, a redação final do projeto deve atender às preocupações do Banco Central e possibilitar a compensação total do impacto fiscal da desoneração da folha de pagamento.
Medidas Complementares
Além do recolhimento de recursos esquecidos, o projeto inclui outras medidas compensatórias, como a atualização do valor de imóveis com imposto menor de ganho de capital e o uso de depósitos judiciais. A repatriação de valores no exterior também está entre as estratégias para aumentar a arrecadação e equilibrar o orçamento.
Perspectivas Futuras
A aprovação do projeto pela Câmara é um passo importante para a gestão fiscal do governo, mas a sanção presidencial e a implementação das medidas serão cruciais para o sucesso da estratégia.
A recuperação de R$ 8 bilhões pode proporcionar um alívio significativo, mas o impacto total das mudanças na desoneração da folha de pagamento e outras medidas compensatórias ainda precisa ser avaliado.
Desafios e Oportunidades
O cenário fiscal do Brasil continua desafiador, e a capacidade do governo de cumprir suas metas fiscais dependerá da eficácia das medidas adotadas e da resposta econômica a essas mudanças. A transparência e a gestão eficiente dos recursos serão essenciais para garantir que as reformas contribuam para a estabilidade econômica e o crescimento sustentável.

Considerações Finais
A votação na Câmara dos Deputados marca um momento decisivo na política fiscal brasileira, com implicações significativas para a arrecadação e o cumprimento das metas fiscais.
A recuperação de recursos esquecidos em instituições financeiras representa uma oportunidade importante para o governo fortalecer suas finanças, mas a implementação bem-sucedida dessas medidas dependerá de sua capacidade de enfrentar desafios e aproveitar as oportunidades que surgirem.
A sanção presidencial e a execução das novas políticas serão fundamentais para determinar o impacto real dessas mudanças na economia e nas finanças públicas do Brasil. O acompanhamento atento das próximas etapas será essencial para compreender plenamente os efeitos dessas medidas e seu papel na estratégia fiscal do governo.
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